{"id":815,"date":"2017-09-08T14:30:00","date_gmt":"2017-09-08T17:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/index.php\/2017\/09\/08\/para-refletir-parcelamento-de-salarios-e-outras-coisas-mais\/"},"modified":"2023-04-28T16:49:22","modified_gmt":"2023-04-28T19:49:22","slug":"para-refletir-parcelamento-de-salarios-e-outras-coisas-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/para-refletir-parcelamento-de-salarios-e-outras-coisas-mais\/","title":{"rendered":"PARA REFLETIR &#8211; PARCELAMENTO DE SALARIOS &#8211; E OUTRAS COISAS MAIS"},"content":{"rendered":"<div>\n\tPARA REFLETIR &#8211; PARCELAMENTO DE SAL&Aacute;RIOS &#8211; E OUTRAS COISAS MAIS<\/p>\n<p>\tParcelamento de sal&aacute;rios<\/p><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tEm seu livro A Peste, Camus retrata uma comunidade que &eacute; acometida por uma misteriosa epidemia. Primeiro morrem os ratos. Depois, as pessoas come&ccedil;am a morrer, sem explica&ccedil;&atilde;o. Em meio ao caos que ali se estabelece, enquanto alguns poucos lutam para descobrir as causas da doen&ccedil;a e auxiliar os sobreviventes, muitas fam&iacute;lias seguem trabalhando, indo ao mercado e mesmo ao teatro. Desviam a pilha de cad&aacute;veres, n&atilde;o questionam porque a fam&iacute;lia ao lado n&atilde;o est&aacute; mais l&aacute;. Apenas seguem suas vidas. O livro foi escrito em 1957, quando o mundo defrontava-se com os acontecimentos da segunda guerra mundial. Talvez seu principal recado seja a necessidade de compreendermos nosso tempo hist&oacute;rico, o que acontece ao nosso redor. E agirmos para promover mudan&ccedil;as.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tHoje, no Estado do Rio Grande do Sul, o sal&aacute;rio dos servidores p&uacute;blicos n&atilde;o est&aacute; sendo honrado. A grande m&iacute;dia, por&eacute;m, pula os cad&aacute;veres e segue em frente, dando not&iacute;cias da Expointer e exaltando os esfor&ccedil;os do governo em pedir o perd&atilde;o da d&iacute;vida ao Planalto. Agimos como se n&atilde;o houvesse o caos. Como se fosse natural retirar do trabalhador sua fonte de sustento, sujeitando-lhe a pedir empr&eacute;stimos, generosamente oferecidos pelo banco do Estado, ou a humilhar-se junto aos credores.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tNo livro de Camus, a convoca&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Se hoje a peste vos olha, &eacute; porque chegou o momento de refletir&rdquo;. Ao naturalizarmos o descumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o mais grave de quem toma trabalho (o pagamento do sal&aacute;rio), permitimos que o discurso do mal menor se instale. A partir de agora, tudo &eacute; permitido, porque sequer a contrapresta&ccedil;&atilde;o pelo trabalho que o Estado segue tomando, de nossos professores e policiais, est&aacute; sendo honrada. Como falar em reposi&ccedil;&atilde;o salarial? Como lutar para n&atilde;o perder garantias duramente conquistadas? Como argumentar contra a terceiriza&ccedil;&atilde;o?<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&Eacute; urgente recuperarmos nossa capacidade de indigna&ccedil;&atilde;o e reconhecermos o calote. O Estado fez uma escolha. Dentre tantos gastos, optou por cortar sal&aacute;rios. N&atilde;o &eacute; razo&aacute;vel, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio. &Eacute; a maneira menos perigosa e mais f&aacute;cil de cooptar o sentimento de todos, refor&ccedil;ando o discurso de que nada mais h&aacute; a fazer. Como nos ensina Camus, a peste, muitas vezes, tem fei&ccedil;&atilde;o humana. Combat&ecirc;-la implica evitar a postura de v&iacute;tima e reconhecer a de carrasco. Implica, acima de tudo, n&atilde;o se acostumar ao mal, denunci&aacute;-lo e enfrent&aacute;-lo.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tDra. Valdete Souto Severo<\/div>\n<div>\n\tJu&iacute;za do Trabalho do TRT da 4&ordf; Regi&atilde;o (RS)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARA REFLETIR &#8211; PARCELAMENTO DE SAL&Aacute;RIOS &#8211; E OUTRAS COISAS MAIS Parcelamento de sal&aacute;rios &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/815"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=815"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1477,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/815\/revisions\/1477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}