{"id":788,"date":"2017-04-28T09:37:00","date_gmt":"2017-04-28T12:37:00","guid":{"rendered":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/index.php\/2017\/04\/28\/reforma-trabalhista\/"},"modified":"2017-04-28T09:37:00","modified_gmt":"2017-04-28T12:37:00","slug":"reforma-trabalhista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/reforma-trabalhista\/","title":{"rendered":"REFORMA TRABALHISTA"},"content":{"rendered":"<div class=\"paragraph\" style=\"margin: 0px auto 2.5em; padding: 0px; border: 0px; text-align: justify; color: rgb(63, 63, 63) !important; font-size: 19px !important; line-height: 31px !important; font-family: Arial !important;\">\n<table class=\"wsite-not-footer\" id=\"blogTable\" style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-family: Merriweather, arial, sans-serif; font-size: 15px; border-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; width: 1031.2px; table-layout: fixed;\">\n<tbody>\n\t\t<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\t<strong><a class=\"blog-title-link blog-link\" href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista\" style=\"text-decoration: none; transition: all 200ms linear; display: block; margin-bottom: 0.5em; line-height: 1;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\">A quem interessa essa &ldquo;reforma&rdquo; trabalhista?<\/span><\/a><\/strong><br \/>\n\t<strong>I- O falso debate; I<\/strong><strong>I- O hist&oacute;rico da &ldquo;reforma&rdquo;; III- As fal&aacute;cias e os atentados dos pilares da &ldquo;reforma&rdquo;: 1. O negociado sobre o legislado; 2. Afastamento da Justi&ccedil;a do Trabalho; 3. Individualismo; 4. Pol&iacute;tica de subempregos; 5. Solidariedade sem participa&ccedil;&atilde;o do capital; 6. Cria&ccedil;&atilde;o de fetiches; IV- O conte&uacute;do da &ldquo;reforma&rdquo;: 1. O que a &ldquo;reforma&rdquo; faz: a) no Direito Material; b) no Direito Processual; 2. O que a &ldquo;reforma&rdquo; n&atilde;o faz: a) no Direito Material; b) no Direito Processual; V- Outra reforma &eacute; poss&iacute;vel? VI- Conclus&atilde;o<\/strong><\/div>\n<div style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-family: Merriweather, arial, sans-serif; font-size: 15px; text-align: justify;\">\n\t&nbsp;<\/div>\n<div class=\"paragraph\" style=\"margin: 0px auto 2.5em; padding: 0px; border: 0px; text-align: justify; color: rgb(63, 63, 63) !important; font-size: 19px !important; line-height: 31px !important; font-family: Arial !important;\">\n\t<strong>I- O falso debate<\/strong><\/p>\n<p>\tMuito se tem falado sobre a &ldquo;reforma&rdquo; trabalhista. Tenta-se difundir a ideia de que quem &eacute; a favor da reforma &eacute; moderno e de que quem &eacute; contra &eacute; retr&oacute;gado, apegado ao passado, burocrata etc. Diz, ainda, que aqueles que est&atilde;o a favor s&atilde;o ponderados e razo&aacute;veis e os que s&atilde;o contra seriam radicais e ideol&oacute;gicos.<\/p>\n<p>\t&Eacute; bastante dif&iacute;cil enfrentar todos esses estere&oacute;tipos e &agrave;s vezes se tem a impress&atilde;o que o melhor mesmo &eacute; n&atilde;o se manifestar. &ldquo;Deixa rolar&rdquo;, como se diz&#8230;<\/p>\n<p>\tO problema &eacute; que est&aacute; em jogo o futuro do pa&iacute;s e, apesar de todos os inc&ocirc;modos, n&atilde;o d&aacute; para ficar calado.<\/p>\n<p>\tDe fato, n&atilde;o se trata de mera reforma trabalhista e sim de uma reformula&ccedil;&atilde;o profunda no modo de ser social, que passa pela destrui&ccedil;&atilde;o das bases jur&iacute;dicas do Estado de Direito brasileiro.<\/p>\n<p>\tDifundi-se a ideia de que se est&aacute; falando da altera&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cada de 40, que estaria caduca, mas sabendo-se, como todos devem saber, que as leis do pa&iacute;s est&atilde;o regidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, o que se est&aacute; pondo em quest&atilde;o, portanto, no plano jur&iacute;dico preciso, &eacute; a pr&oacute;pria efic&aacute;cia da Constitui&ccedil;&atilde;o de 88, que, ademais, relacionou expressamente os direitos dos trabalhadores, assim como lhes atribuiu a posi&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais.<\/p>\n<p>\tA argumenta&ccedil;&atilde;o em torno da idade que se apresenta a respeito da CLT perde total sentido quando se lembra que dos 921 artigos da CLT de 1943, apenas 188 continuam vigentes at&eacute; hoje e praticamente nenhum destes fixa, digamos assim, custos aos empregadores. Do ponto de vista legislativo, o que rege as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no Brasil, em conson&acirc;ncia com a Constitui&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma s&eacute;rie de leis esparsas, editadas em grande n&uacute;mero do ano de 1964 em diante, tendo sido a maioria, inclusive, na dire&ccedil;&atilde;o da dita &ldquo;flexibiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, tanto que o teor do PL 6787\/16, que visa, segundo se diz, &ldquo;modernizar a legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho&rdquo;, alterando mais de 200 dispositivos da CLT, toca apenas em 7 artigos da CLT que estavam vigentes em 1943; e mesmo assim n&atilde;o os revoga por inteiro.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, a pretendida reforma busca incentivar a livre negocia&ccedil;&atilde;o coletiva e isso &eacute;, precisamente, o que j&aacute; existia no Brasil antes do Decreto 19.770, de 31 de mar&ccedil;o de 1931.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, a dita reforma &ldquo;modernizadora&rdquo; procura ampliar as possibilidades da liberdade contratual individual, mas com essa iniciativa apenas se retomam os padr&otilde;es jur&iacute;dicos da loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, tal qual prevista no Brasil desde 1830, com as altera&ccedil;&otilde;es sofridas em 1837, 1850, 1879 e 1916.<\/p>\n<p>\tA quest&atilde;o temporal, portanto, &eacute; apenas uma m&aacute;scara, assim como a tentativa de transpor a quest&atilde;o para o campo ideol&oacute;gico, como se o debate a respeito fosse mera diferen&ccedil;a de vis&atilde;o de mundo, ou seja, fruto de posicionamentos ideol&oacute;gicos distintos, isto porque se os direitos civis e pol&iacute;ticos, incluindo a liberdade, foram consagrados no capitalismo, em 1789, os Direitos Humanos, de &iacute;ndole social, tamb&eacute;m foram enunciados dentro do mesmo modelo, por meio da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, em 1948.<\/p>\n<p>\tSaindo dos estere&oacute;tipos e dos argumentos prontos, torna-se poss&iacute;vel perceber que a proposta de reforma, apresentada no &uacute;ltimo dia 12 de abril, busca uma reconstru&ccedil;&atilde;o dos destinos da sociedade brasileira e o faz, segundo procurarei demonstrar, em conformidade com os interesses exclusivos do setor econ&ocirc;mico (que s&atilde;o leg&iacute;timos, mas n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos) e isso &ndash; para al&eacute;m dos desejos individuais, ou seja, do que cada um possa considerar que seria o melhor para o pa&iacute;s &ndash; contraria o pacto firmado na Constituinte de 1987, sendo que o pior de tudo s&atilde;o as estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas que se t&ecirc;m utilizado para chegar a esse resultado, fazendo com que n&atilde;o estejam em risco apenas os direitos dos trabalhadores, mas a democracia e o Estado de Direito nacionais, repercutindo, pois, no cotidiano de todos, independentemente de seus cr&eacute;dulos ou ideologias, mas, claro, mais diretamente, e no sentido negativo, na vida dos trabalhadores.<\/p>\n<p>\t<strong>II- O hist&oacute;rico da &ldquo;reforma&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>\tDesde o in&iacute;cio de&nbsp;<strong>dezembro de 2014<\/strong>&nbsp;manifesta&ccedil;&otilde;es se organizam contra o governo e j&aacute; naquele instante era poss&iacute;vel perceber que a tentativa de fragiliza&ccedil;&atilde;o do governo &ndash; que era como o setor econ&ocirc;mico vislumbrava a mobiliza&ccedil;&atilde;o &ndash; estava ligada ao prop&oacute;sito de direcion&aacute;-lo &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o, em seu proveito, de altera&ccedil;&otilde;es na legisla&ccedil;&atilde;o social, sobretudo no que se refere &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o da terceiriza&ccedil;&atilde;o<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn1\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[i]<\/a>.<\/p>\n<p>\tFoi assim que o governo, em&nbsp;<strong>30\/12\/14<\/strong>, editou as MPs 664 e 665 e, em&nbsp;<strong>06\/07\/15<\/strong>, a MP 680 (Programa de Prote&ccedil;&atilde;o ao Emprego), valendo lembrar que, bem antes disso, em maio de 2014, j&aacute; havia dado indicativos nesta dire&ccedil;&atilde;o com a edi&ccedil;&atilde;o do Decreto n. 8.243, que instituiu a Pol&iacute;tica Nacional de Participa&ccedil;&atilde;o Social &mdash; PNPS. Essa normativa previa a cria&ccedil;&atilde;o de um Sistema &Uacute;nico do Trabalho &mdash; SUT, pelo qual, de forma bastante sutil, se retomava a ideia, embutida na antiga Emenda n. 3, de mar&ccedil;o de 2007, de negar o car&aacute;ter de indisponibilidade da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn2\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[ii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tDe&nbsp;<strong>mar&ccedil;o de 2015<\/strong>&nbsp;em diante, a demanda por um&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>&nbsp;da Presidenta Dilma s&oacute; aumentou, favorecendo a amplia&ccedil;&atilde;o da reivindica&ccedil;&atilde;o patronal. Por outro lado, tamb&eacute;m aumentava a press&atilde;o da classe trabalhadora sobre o governo, cobrando deste o respeito ao compromisso, feito na campanha eleitoral, de que n&atilde;o mexeria em direitos trabalhistas nem que a vaca tossisse.<\/p>\n<p>\tNo curso desse impasse, o PMDB, ainda compondo o governo, em&nbsp;<strong>29\/10\/15<\/strong>, anuncia o seu programa &ldquo;Uma Ponte para o Futuro&rdquo;, que previa a realiza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;reformas estruturais&rdquo; necess&aacute;rias para alavancar a economia, falando, inclusive, de altera&ccedil;&otilde;es nas leis e na Constitui&ccedil;&atilde;o, cujas &ldquo;disfuncionalidades&rdquo; deveriam ser corrigidas.<\/p>\n<p>\tE cumpre observar que, embora fizesse esse indicativo das &ldquo;reformas&rdquo;, o programa n&atilde;o trazia um projeto completo e claro a respeito, fazendo men&ccedil;&atilde;o expressa apenas, na &aacute;rea previdenci&aacute;ria, &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o da idade m&iacute;nima para a aposentadoria, e, na quest&atilde;o trabalhista, a uma atua&ccedil;&atilde;o para &ldquo;permitir que as conven&ccedil;&otilde;es coletivas prevale&ccedil;am sobre as normas legais, salvo quanto aos direitos b&aacute;sicos&rdquo;<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn3\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[iii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tEm concreto, o PMDB n&atilde;o tinha um projeto de reforma trabalhista. E muito menos o tinha o Vice-Presidente da Rep&uacute;blica, Michel Temer. O indicativo a respeito foi apenas de ordem pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>\tDe todo modo, esse indicativo foi o impulso que faltava para a abertura do processo de&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>, que aparece, tamb&eacute;m, como solu&ccedil;&atilde;o do impasse.<\/p>\n<p>\tAssim, ap&oacute;s Eduardo Cunha acolher, em&nbsp;<strong>02\/12\/15<\/strong>, o pedido de&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>, que come&ccedil;a a tramitar na C&acirc;mara em&nbsp;<strong>04\/12\/15<\/strong><a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn4\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[iv]<\/a>, o setor empresarial passa a se manifestar expressamente a favor do afastamento da Presidente, tendo a percep&ccedil;&atilde;o de que, diante da potencial fragiliza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas (o que j&aacute; vinha se manifestando, vale lembrar, em f&oacute;rmulas expl&iacute;citas de Estado de exce&ccedil;&atilde;o, desde 2013), se teria a oportunidade para concretizar um desejo manifestado desde 1989, qual seja, o destruir o projeto de Estado Social fixado na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, notadamente nos aspectos da posi&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais que foi conferida aos direitos dos trabalhadores e da relev&acirc;ncia dada &agrave; Justi&ccedil;a do Trabalho, sobretudo ap&oacute;s a EC45\/04, quando sua compet&ecirc;ncia jurisdicional foi ampliada<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn5\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[v]<\/a>.<\/p>\n<p>\tA FIESP e a CIESP s&oacute; se manifestaram, expressamente, a favor do&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>&nbsp;em&nbsp;<strong>14\/12\/2015<\/strong><a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn6\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[vi]<\/a>; a CNA, em&nbsp;<strong>06\/04\/2016<\/strong>; a CNI e a CNT, em&nbsp;<strong>14\/04\/2016<\/strong>, ou seja, tr&ecirc;s dias antes da vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara, que se deu em&nbsp;<strong>17\/04\/16<\/strong>; e a FEBRABAN n&atilde;o se pronunciou a respeito (o que n&atilde;o significa que estive contra, por certo).<\/p>\n<p>\tUm dia antes da vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara, como forma de justificar o&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>, j&aacute; vislumbrado como essencial para a &ldquo;recupera&ccedil;&atilde;o da economia&rdquo;, o Presidente da FIESP, Paulo Skaf, em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada na edi&ccedil;&atilde;o de&nbsp;<strong>16\/04\/16<\/strong><a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn7\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\"><strong>[vii]<\/strong><\/a>, anunciou:<\/p>\n<p>\t&ldquo;Com a retomada da confian&ccedil;a [leia-se: com o impeachment de Dilma e um governo Temer], a economia retomar&aacute; o crescimento, e n&atilde;o demorar&aacute; muito. &Eacute; necess&aacute;rio que se d&ecirc; um cr&eacute;dito para o presidente que assuma. (&#8230;) N&atilde;o tinha como resolver a economia sem mudar o governo.&rdquo;<\/p>\n<p>\tE o Presidente da CNA (Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Agricultura e da Pecu&aacute;ria), Jo&atilde;o Martins, no mesmo dia, discursando para Deputados da bancada ruralista, disse:<\/p>\n<p>\t&ldquo;A dura realidade &eacute; que o atual governo optou pelo caminho errado ao adotar medidas que afetaram a estabilidade da economia e provocaram o crescimento do desemprego (&#8230;) o fechamento de 100 mil estabelecimentos comerciais em todo pa&iacute;s, gerando 10 milh&otilde;es de desempregados e com o governo perdendo toda credibilidade junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e &agrave; comunidade financeira internacional (&#8230;). Mudar o pa&iacute;s, reconstruir a economia, fazer as reformas estruturais, por exemplo, da previd&ecirc;ncia social e da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, s&atilde;o tarefas complexas a serem executadas a partir da aprova&ccedil;&atilde;o do impeachment.&rdquo;<\/p>\n<p>\tUm m&ecirc;s depois da posse nenhuma provid&ecirc;ncia do governo foi tomada no sentido de alguma reforma trabalhista. E o pr&oacute;prio PL 4.330\/04 &ndash; da terceiriza&ccedil;&atilde;o, que era uma grande aposta empresarial e j&aacute; havia sido aprovado na C&acirc;mara em 23\/04\/15, encontrava fortes obst&aacute;culos desde quando passou a tramitar no Senado, a partir de 28\/04\/15, com o n&uacute;mero PLC 30\/15, tendo como relator, nomeado em 17\/08\/15, o Senador Paulo Paim.<\/p>\n<p>\tEnt&atilde;o, em&nbsp;<strong>19\/05\/16<\/strong>, &eacute; divulgada a not&iacute;cia de que alguns integrantes do governo, incluindo Ministros, estavam envolvidos em den&uacute;ncias da Lava Jato<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn8\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[viii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tO governo n&atilde;o entendeu o recado e continuou desprezando a reforma trabalhista, vez que, expressamente, dava prioridade &agrave; reforma previdenci&aacute;ria, conforme dito pelo Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, em&nbsp;<strong>20\/05\/16<\/strong>:<\/p>\n<p>\t&ldquo;O minist&eacute;rio ir&aacute; ouvir os trabalhadores at&eacute; porque a reforma trabalhista &eacute; num segundo momento. Primeiro o governo est&aacute; trabalhando para buscar um consenso no que diz respeito a Previd&ecirc;ncia Social&rdquo;<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn9\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[ix]<\/a>.<\/p>\n<p>\tO Ministro, inclusive, chegou a ser aplaudido por sindicalistas quando comunicou que &ldquo;nenhuma medida ser&aacute; anunciada sem que antes seja constru&iacute;da uma base consensual com os sindicatos&rdquo;&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn10\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[x]<\/a>.<\/p>\n<p>\tFoi assim que, no dia&nbsp;<strong>08\/06\/16<\/strong>, 150 empres&aacute;rios, de diversos setores, dada a oportunidade da crise pol&iacute;tica, foram at&eacute; o Planalto encontrar com o Presidente (at&eacute; ent&atilde;o, interino), expressar o seu apoio ao governo e aproveitar para lembr&aacute;-lo do compromisso assumido com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s reformas estruturais na Previd&ecirc;ncia e na legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn11\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xi]<\/a>.<\/p>\n<p>\tO governo, revelando o pacto feito com esse segmento da sociedade, setor empresarial e grande m&iacute;dia, reafirmou publicamente o seu prop&oacute;sito de implementar as denominadas &ldquo;medidas impopulares&rdquo; para conduzir as tais &ldquo;reformas estruturais&rdquo; e, digamos assim, mudou o rumo da prosa.<\/p>\n<p>\tOs Ministros do governo Temer, ent&atilde;o, vieram a p&uacute;blico para tornar a vontade empresarial uma voz oficial do Estado.<\/p>\n<p>\tEm&nbsp;<strong>18\/06\/16<\/strong>, o Ministro do Trabalho passa a falar, ent&atilde;o, da necessidade de alterar a legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho: &ldquo;Precisamos ter contrato de trabalho que explicite as regras mais claramente, a respeito dos direitos e garantias do trabalhador&rdquo;<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn12\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tJ&aacute; o Ministro da Casa Civil, o mesmo que enunciou o fim da Lava Jato, explicitando que ela devia saber a hora de parar<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn13\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xiii]<\/a>, para justificar o fim da CLT, disse, na mesma data, que &ldquo;&#8230; a d&eacute;cada de 40, 46, ficou para tr&aacute;s h&aacute; muito tempo&rdquo;, afirmando que se havia alguma raz&atilde;o para a legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista criada por Get&uacute;lio Vargas naquela &eacute;poca hoje essas raz&otilde;es n&atilde;o existem mais<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn14\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xiv]<\/a>.<\/p>\n<p>\tE foi al&eacute;m, ao expressar que:<\/p>\n<p>\t&ldquo;&#8230;temos que olhar rumo ao amanh&atilde;, (ver o que) os pa&iacute;ses desenvolvidos est&atilde;o fazendo, e temos que fazer aqui. Essa quest&atilde;o do pactuado versus legislado, com sobreposi&ccedil;&atilde;o do pactuado sobre o legislado, isso &eacute; o mundo. N&oacute;s n&atilde;o estamos aqui inventando a roda. Isso &eacute; no mundo hoje, diante da competitividade que se estabeleceu para se ter emprego. Todo mundo (est&aacute;) tentando buscar o pleno emprego. Ent&atilde;o tem que se facilitar as formas de contrata&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>\tO Presidente da CNI se sentiu t&atilde;o confort&aacute;vel com a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do pa&iacute;s, extremamente favor&aacute;vel ao setor econ&ocirc;mico, que, em&nbsp;<strong>11\/07\/16<\/strong>, chegou a dizer<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn15\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xv]<\/a>&nbsp;que para recuperar a competitividade das empresas seria preciso aumentar o limite do trabalho de 44 para 80 horas semanais. Verdade que depois reconsiderou a fala para esclarecer que fazia men&ccedil;&atilde;o ao limite de 60 horas semanais<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn16\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xvi]<\/a>&nbsp;e n&atilde;o ao de 80.<\/p>\n<p>\tA grande m&iacute;dia tamb&eacute;m procurou fazer a sua parte e, no dia&nbsp;<strong>20\/07\/16<\/strong>, o jornal Folha de S. Paulo deu destaque &agrave; not&iacute;cia (que foi concretamente um ultimato) de que o governo iria enviar ao Congresso Nacional, at&eacute; o final do ano, tr&ecirc;s propostas de reformas trabalhistas<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn17\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xvii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tO governo soube se valer da situa&ccedil;&atilde;o e, no dia imediatamente anterior &agrave; vota&ccedil;&atilde;o do&nbsp;<em style=\"position: relative;\">impeachment<\/em>&nbsp;no Senado, ou seja, em&nbsp;<strong>24\/08\/16<\/strong>, chamou empres&aacute;rios para um evento no Pal&aacute;cio do Planalto e, em manifesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, fez o qu&ecirc;? Defendeu a reforma trabalhista, o que, claro, muito rapidamente foi repercutido na imprensa<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn18\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xviii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tOcorre que, no dia&nbsp;<strong>8\/9\/16<\/strong>, no processo RE 895.759 (1159), o Ministro Teori Zavascki, em decis&atilde;o monocr&aacute;tica, seguindo a mesma linha j&aacute; aberta pela decis&atilde;o proferida no RE 590.415, de 30 de abril de 2015 (relator Ministro Roberto Barroso), acolheu a validade de norma coletiva que fixava o limite m&aacute;ximo de horas &ldquo;in itinere&rdquo;, fazendo, inclusive, uma apologia ao negociado sobre o legislado.<\/p>\n<p>\tNo dia&nbsp;<strong>14\/09\/16<\/strong>, o Supremo, refletindo o momento pol&iacute;tico, provavelmente pela primeira vez em toda a sua hist&oacute;ria, designou uma pauta composta integralmente de processos que diziam respeito a quest&otilde;es trabalhistas. E foi uma pauta cuidadosamente escolhida, vez que as quest&otilde;es, todas elas, eram ligadas ao tema da flexibiliza&ccedil;&atilde;o. Ou seja, elaborou-se uma pauta com a finalidade de promover uma aut&ecirc;ntica &ldquo;reforma&rdquo; jurisprudencial trabalhista, passando por cima dos entendimentos, nas mesmas mat&eacute;rias, j&aacute; expressos pelo TST, como se verificou no conte&uacute;do dos julgamentos proferidos.<\/p>\n<p>\tNo julgamento da ADIN 4842 (relator, Ministro Celso de Melo), o STF declarou constitucional o art. 5&ordm; da Lei n. 11.901\/09, que fixa em 12 horas a jornada de trabalho dos bombeiros civis, seguida por 36 horas de descanso e com limita&ccedil;&atilde;o a 36 horas semanais, contrariando a limita&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria estabelecida no art. 7&ordm;, XIII, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<\/p>\n<p>\tNa mesma sess&atilde;o, do dia&nbsp;<strong>14\/9\/16<\/strong>, o Ministro Roberto Barroso, chamando o Ministro Marco Aur&eacute;lio de Melo ao di&aacute;logo disse: &ldquo;toda tend&ecirc;ncia do Direito do Trabalho contempor&acirc;neo &eacute; no sentido da flexibiliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es e da coletiviza&ccedil;&atilde;o das discuss&otilde;es&rdquo;. E o Ministro Marco Aur&eacute;lio completou: &ldquo;Fato. Mais dia menos dia n&oacute;s vamos ter que partir para essa reforma&rdquo;.<\/p>\n<p>\tDiante dessa manifesta&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita do STF, Temer v&ecirc; a oportunidade para n&atilde;o levar adiante o inc&ocirc;modo da reforma trabalhista, declarando, no dia seguinte,&nbsp;<strong>15\/09\/16<\/strong>, que n&atilde;o era &ldquo;idiota&rdquo; de eliminar direitos trabalhistas e chega a anunciar que deixaria para 2017 a apresenta&ccedil;&atilde;o de alguma altera&ccedil;&atilde;o trabalhista, mantendo o foco na reforma previdenci&aacute;ria<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn19\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xix]<\/a>.<\/p>\n<p>\tEm&nbsp;<strong>21\/09\/16<\/strong>, o governo oficializa sua posi&ccedil;&atilde;o no sentido do adiamento, para o 2&ordm; semestre de 2017, das discuss&otilde;es em torno da reforma trabalhista. O Ministro do Trabalho afirma: &ldquo;Estamos apenas em fase de estudos e de debates, porque a quest&atilde;o &eacute; complexa e precisa ter a participa&ccedil;&atilde;o de todos os setores envolvidos&quot;. E esclarece que antes de discutir mudan&ccedil;as na lei trabalhista, o governo iria focar na recupera&ccedil;&atilde;o da economia<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn20\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xx]<\/a>.<\/p>\n<p>\tMas, ainda que o STF tivesse se apresentado como agente da reforma, isso, por certo, n&atilde;o era de pleno agrado do setor empresarial que inflou a chegada de Temer ao poder, pois assim se manteria sobre o controle do Judici&aacute;rio a regula&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o capital-trabalho e o que este setor pretendia era muito mais que isso; era eliminar a intermedia&ccedil;&atilde;o estatal e controlar diretamente a for&ccedil;a de trabalho. Al&eacute;m disso, as decis&otilde;es do STF, embora flexibilizantes, n&atilde;o iam ao ponto pretendido da total derrocada de direitos trabalhistas, chegando mesmo a manterem inabalados os princ&iacute;pios do Direito do Trabalho e a pr&oacute;pria autoridade da Justi&ccedil;a do Trabalho.<\/p>\n<p>\tApesar de v&aacute;rias decis&otilde;es do STF favor&aacute;veis ao setor econ&ocirc;mico, percebeu-se a necessidade de se retomar o tema da reforma trabalhista no &acirc;mbito do legislativo.<\/p>\n<p>\tEnt&atilde;o, no dia&nbsp;<strong>10\/12\/16<\/strong>, &ldquo;vaza&rdquo; para a grande m&iacute;dia a informa&ccedil;&atilde;o de que o nome de Temer havia sido citado 43 vezes nas dela&ccedil;&otilde;es da Odebrecht<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn21\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxi]<\/a>.<\/p>\n<p>\tEm resposta, o que fez o governo? Rapidamente, tratou de retomar o tema da reforma trabalhista.<\/p>\n<p>\tNo dia&nbsp;<strong>17\/12\/16<\/strong>, o Ministro do Trabalho, alterando completamente sua fala anterior, veio a p&uacute;blico para dizer que o governo faria uma proposta de reforma trabalhista, n&atilde;o sabendo, no entanto, que reforma seria essa. Apenas disse que poderia haver a ado&ccedil;&atilde;o do &ldquo;trabalho intermitente&rdquo;, explicitando, ainda, que n&atilde;o havia consenso a respeito<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn22\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxii]<\/a>.<\/p>\n<p>\t&Eacute; evidente, pois, que o governo, como j&aacute; havia manifestado, n&atilde;o tinha uma proposta concreta de reforma trabalhista, ao menos uma que fosse fruto de estudos, com proje&ccedil;&otilde;es e expectativas. O que se pretendeu naquele instante, com aquela informa&ccedil;&atilde;o, foi meramente abafar os efeitos nefastos das &uacute;ltimas not&iacute;cias. Mas pode-se dizer, tamb&eacute;m, que o governo foi pressionado para levar adiante a promessa que havia feito de realizar a &ldquo;impopular&rdquo; reforma trabalhista.<\/p>\n<p>\tFoi assim que se organizou, no dia&nbsp;<strong>22\/12\/16<\/strong>, um grande palanque no Pal&aacute;cio do Planalto, com as presen&ccedil;as dos Ministros Gilmar Mendes e Ives Gandra da Silva Martins Filho, para anunciar a apresenta&ccedil;&atilde;o de um projeto de lei qualquer, junto com a informa&ccedil;&atilde;o de que iria liberar, a partir de 1&ordm; de fevereiro de 2017, o FGTS inativo.<\/p>\n<p>\tO governo conseguia, desse modo, alterar a pauta da grande m&iacute;dia, colocando a not&iacute;cia da reforma trabalhista nas primeiras p&aacute;ginas, ao mesmo tempo em que acalmava os empres&aacute;rios &ndash; e trabalhadores, com a libera&ccedil;&atilde;o do FGTS &ndash;, mantendo ambos em expectativa.<\/p>\n<p>\tMas, percebam. O governo n&atilde;o tinha um projeto pr&oacute;prio de reforma trabalhista. O anteprojeto que apresentou ao Congresso Nacional, no dia seguinte, em&nbsp;<strong>23\/12\/16&nbsp;<\/strong>(onde recebeu o n&uacute;mero PL 6787\/16), com o apelido de uma minirreforma, foi feito &agrave;s pressas para abafar a crise pol&iacute;tica; tinha m&iacute;seras 9 p&aacute;ginas, incluindo a justificativa, e alterava apenas 7 artigos da CLT, al&eacute;m de propor uma reformula&ccedil;&atilde;o na Lei n. 6.019\/16 (trabalho tempor&aacute;rio).<\/p>\n<p>\tEm paralelo, como j&aacute; dito, tramitava, no Senado Federal, o PLC30\/15, que previa a amplia&ccedil;&atilde;o da terceiriza&ccedil;&atilde;o, mas como estava sendo forte a rea&ccedil;&atilde;o social contra o projeto, favorecida pela atua&ccedil;&atilde;o do relator, Senador Paulo Paim, era preciso fazer algo para que o n&oacute; dado &agrave; quest&atilde;o da terceiriza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m fosse desatado.<\/p>\n<p>\tO impulso para o desenlace se deu com nova not&iacute;cia acerca da Lava Jato.<\/p>\n<p>\tNo dia&nbsp;<strong>03\/03\/17<\/strong>, foi divulgada a informa&ccedil;&atilde;o de que havida sido aceita naquele dia a &ldquo;primeira&rdquo; den&uacute;ncia da Lava Jato do ano<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn23\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxiii]<\/a>.<\/p>\n<p>\tNo mesmo dia, 03 de mar&ccedil;o de 2017, &eacute; divulgada a not&iacute;cia<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn24\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxiv]<\/a>&nbsp;de que a C&acirc;mara pretendia retomar a tramita&ccedil;&atilde;o do PL 4.302\/98, cuidando de trabalho tempor&aacute;rio (mesmo j&aacute; estando referido no PL 6786\/16), mas que tamb&eacute;m fazia men&ccedil;&atilde;o, ainda que de forma n&atilde;o muito precisa, &agrave; terceiriza&ccedil;&atilde;o, com permissivo para a atividade-fim das empresas.<\/p>\n<p>\tO PL 4.302\/98 estava praticamente sem tramita&ccedil;&atilde;o<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn25\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxv]<\/a>, destacando-se, apenas, um pedido de movimenta&ccedil;&atilde;o, direcionado ao Presidente da C&acirc;mara, formulado pela Fecom&eacute;rcio, em 10\/01\/17, que foi encaminhado &agrave; CCJC, em 25\/01\/17, onde deu entrada em 26\/01\/17.<\/p>\n<p>\tNo dia&nbsp;<strong>21\/03\/17<\/strong>, a Pol&iacute;cia Federal deflagrou a primeira opera&ccedil;&atilde;o referente aos nomes denunciados pela dela&ccedil;&atilde;o da Odebrecht, envolvendo 4 senadores, em 4 Estados<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn26\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxvi]<\/a>&nbsp;e, no mesmo dia, em 21 de mar&ccedil;o, todas as &ldquo;pend&ecirc;ncias&rdquo; do PL 4.302\/98 foram sanadas e o projeto foi encaminhado a plen&aacute;rio e aprovado em&nbsp;<strong>22\/03\/17<\/strong>.<\/p>\n<p>\tNunca se viu um procedimento t&atilde;o acelerado. O PL foi sancionado por Temer, em&nbsp;<strong>31\/03\/17<\/strong>, transformando-se na Lei n. 13.429\/17, publicada no mesmo dia no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o.<\/p>\n<p>\tE a estrat&eacute;gia de vincular a &ldquo;reforma&rdquo; trabalhista ao projeto pol&iacute;tico parece estar dando certo, pois, ao contr&aacute;rio do que se anunciava em 10\/12\/16, quando foi divulgada a &ldquo;lista do Fachin&rdquo;, de denunciados da Lava Jato, em&nbsp;<strong>11\/04\/17<\/strong><a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn27\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxvii]<\/a>, o nome de Temer n&atilde;o apareceu, e, embora se tenha um fundamento jur&iacute;dico para tanto, por este ocupar o cargo da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, o fato concreto &eacute; que, como j&aacute; se chegou a expressar<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn28\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxviii]<\/a>, algumas &ldquo;avalia&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas&rdquo; devem ser feitas de modo a n&atilde;o permitir que se abale a &ldquo;estabilidade do pa&iacute;s&rdquo;. Neste caso, a estabilidade se sustenta, mesmo que sobre areia movedi&ccedil;a, para atender ao prop&oacute;sito de levar adiante as reformas trabalhista e previdenci&aacute;ria, que foi o que, contraditoriamente, motivou o abalo da democracia e das institui&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\tE o interessante &eacute; que essas reformas est&atilde;o sendo conduzidas por v&aacute;rios parlamentares denunciados na &ldquo;lista do Fachin&rdquo;.<\/p>\n<p>\tAssim, o que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira &ndash; incluindo os eventuais &ldquo;inocentes&rdquo; &uacute;teis e os que efetivamente creem nas benesses das &ldquo;reformas&rdquo; &ndash; deve se perguntar, de forma bem sincera e honesta, &eacute; quais seriam os compromissos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos que est&atilde;o impulsionando a tramita&ccedil;&atilde;o, de forma t&atilde;o acelerada e despudoradamente antidemocr&aacute;tica, dos projetos das referidas &ldquo;reformas&rdquo;, notadamente a trabalhista, cujo conte&uacute;do final, como se demonstrar&aacute; adiante, serve, integralmente, ao setor econ&ocirc;mico ligado ao grande capital.<\/p>\n<p>\tQue ajustes seriam esses que se valem da fragiliza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es nacionais, para favorecer interesses que n&atilde;o se revelam e que se anunciam pelas f&oacute;rmulas vazias da &ldquo;moderniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; e da &ldquo;elimina&ccedil;&atilde;o da informalidade&rdquo;?<\/p>\n<p>\tVale verificar que o relat&oacute;rio final do PL 6787\/16, apresentado logo no dia seguinte ao da divulga&ccedil;&atilde;o da lista do Fachin, ou seja, em&nbsp;<strong>12\/04\/17<\/strong>, n&atilde;o era, inicialmente (em 23\/12\/16), um projeto de reforma trabalhista, como acima demonstrado, e, em apenas quatro meses (devendo-se considerar que, de fato, a tramita&ccedil;&atilde;o tem in&iacute;cio em&nbsp;<strong>09\/02\/17<\/strong>, quando &eacute; instalada a Comiss&atilde;o Especial da Reforma e eleito como relator o deputado Rog&eacute;rio Marinho, o que resulta em parcos&nbsp;<strong>dois meses de tramita&ccedil;&atilde;o<\/strong>) se transformou em um texto com 132 p&aacute;ginas, incluindo o Parecer, propondo a altera&ccedil;&atilde;o de mais de 200 dispositivos na CLT, dentre artigos e par&aacute;grafos, todas no mesmo sentido.<\/p>\n<p>\tO que se verificou ao longo dessa tramita&ccedil;&atilde;o foi a exclusiva incorpora&ccedil;&atilde;o de demandas que o setor empresarial tinha no que tange &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de trabalho<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn29\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxix]<\/a>, seja no plano do direito material, seja no campo processual, fazendo-o de modo a majorar o poder dos grandes conglomerados econ&ocirc;micos e, notadamente, das grandes empreiteiras, por meio de dois pilares: a) fragiliza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e fragmenta&ccedil;&atilde;o da classe trabalhadora; e afastamento da atua&ccedil;&atilde;o corretiva e limitadora do Estado (direito e institui&ccedil;&otilde;es &ndash; Justi&ccedil;a do Trabalho, Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, Auditores Fiscais do Trabalho e advocacia trabalhista), a n&atilde;o ser naquilo que interesse ao capital.<\/p>\n<p>\tN&atilde;o se trata de mera reforma, mas de uma altera&ccedil;&atilde;o profunda do modo de produ&ccedil;&atilde;o e nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no Brasil e todas no mesmo sentido de atendimento de demandas empresariais.<\/p>\n<p>\tDestaque-se que n&atilde;o se est&aacute; falando aqui, em momento algum, que nenhuma altera&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho n&atilde;o possa ser debatida. Ali&aacute;s, um ponto sobre o qual n&atilde;o se tem praticamente discuss&atilde;o no meio jur&iacute;dico &ndash; tendo motivado manifesta&ccedil;&otilde;es de todas as institui&ccedil;&otilde;es ligadas ao mundo do direito &ndash; &eacute; exatamente o de que a rejei&ccedil;&atilde;o ao PL 6787\/16 se imp&otilde;e em raz&atilde;o da total aus&ecirc;ncia de possibilidades de se ter estabelecido um debate democr&aacute;tico e s&eacute;rio quanto ao seu conte&uacute;do. Na elabora&ccedil;&atilde;o do PL afastaram-se, completamente, as considera&ccedil;&otilde;es que levavam em conta, igualmente, os interesses da classe trabalhadora e a necessidade de preservar o projeto constitucional.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, como se est&aacute; demonstrando, nem &eacute; propriamente de uma reforma que se cuida. O PL 6787\/16, como revela o seu conte&uacute;do, representa uma reformula&ccedil;&atilde;o completa do pr&oacute;prio modelo de Estado, trazendo altera&ccedil;&otilde;es estruturais que repercutem na vida nacional. &nbsp;<\/p>\n<p>\tSob a ret&oacute;rica de que se est&aacute; modernizando uma legisla&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cada de 40, o que se est&aacute; pretendendo realizar &eacute; um desmonte do pacto realizado na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, sem o estabelecimento de um amplo debate a respeito, com o estabelecimento, inclusive, das vias necess&aacute;rias de participa&ccedil;&atilde;o popular. N&atilde;o se esque&ccedil;a que a Assembleia Nacional Constituinte, instalada a partir de 1&ordm; de fevereiro de 1987, esteve aberta a propostas de emendas populares, com o requisito de que fossem encaminhadas por associa&ccedil;&otilde;es civis e subscritas por, no m&iacute;nimo, 30 mil assinaturas, como forma de atestar o apoio popular &agrave; proposta, sendo que at&eacute; o encerramento dos trabalhos, foram apresentadas mais de 120 propostas nas mais diversas &aacute;reas, reunindo cerca de 12 milh&otilde;es de assinaturas.<\/p>\n<p>\tO que resta evidente pela pr&oacute;pria cronologia dos fatos acima apresentada &eacute; que se est&aacute; tentando levar adiante, a f&oacute;rceps, sem o m&iacute;nimo respeito &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, uma reforma empresarial que tende a suprimir a efic&aacute;cia da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, podendo-se prever at&eacute; mesmo, pelo modo como as coisas se desenvolveram, que ao final de todo esse processo nenhuma altera&ccedil;&atilde;o concreta se verifique com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, com puni&ccedil;&atilde;o dos diretamente envolvidos, sendo que muitos, inclusive, sair&atilde;o beneficiados pela reforma trabalhista aprovada.<\/p>\n<p>\tNo dia&nbsp;<strong>22\/04\/17<\/strong>, por exemplo, veiculou a not&iacute;cia de que as principais empresas citadas na Lava Jato haviam demitido 600 mil pessoas, nos &uacute;ltimos 3 anos, sem fazer qualquer considera&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica a respeito, ou seja, naturalizando as dispensas. Sem dizer expressamente, a not&iacute;cia aponta para a necessidade de uma limita&ccedil;&atilde;o da Lava Jato, destacando os seus &ldquo;efeitos colaterais&rdquo;<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn30\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxx]<\/a>. Al&eacute;m disso, tem como fun&ccedil;&atilde;o difundir a ideia de que as empresas corruptoras devem ser perdoadas porque, al&eacute;m de terem contribu&iacute;do com as dela&ccedil;&otilde;es, ainda est&atilde;o sendo v&iacute;tima dos efeitos econ&ocirc;micos do processo, o que, indiretamente, serve para justificar as reformas trabalhistas, que poderiam auxili&aacute;-las em sua recupera&ccedil;&atilde;o, favorecendo o governo na difus&atilde;o de n&uacute;meros de aumento do emprego em raz&atilde;o da reforma, ainda que, de fato, se trate de subemprego.<\/p>\n<p>\tE, em&nbsp;<strong>23\/04\/17<\/strong>, o Presidente da Natura veio a p&uacute;blico para defender a manuten&ccedil;&atilde;o de Temer no poder at&eacute; 2018<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn31\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxxi]<\/a>.<\/p>\n<p>\tAo mesmo tempo, a tramita&ccedil;&atilde;o do processo que envolve a &ldquo;lista do Fachin&rdquo; tende a se eternizar no STF.<\/p>\n<p>\tAssim, o roteiro se direciona para um final, no qual, mais uma vez na hist&oacute;ria do Brasil, os punidos ser&atilde;o apenas os trabalhadores.<\/p>\n<p>\tAli&aacute;s, &eacute; bastante curioso que precisamente no momento hist&oacute;rico em que se diz estar pretendendo banir do cen&aacute;rio nacional a corrup&ccedil;&atilde;o, o que implicaria interferir no poder das grandes empresas e na sua correla&ccedil;&atilde;o com pol&iacute;ticos e na sua influ&ecirc;ncia sobre as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, difunde-se esse ataque midi&aacute;tico &agrave; Justi&ccedil;a do Trabalho e se o faz com o argumento, sempre expresso, de que ela interveio na vontade das empresas. Ou seja, quando se diz estar passando o Brasil a limpo, &eacute; alarmante que se esteja promovendo um achincalhamento p&uacute;blico de uma institui&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se corrompeu, que n&atilde;o cedeu e que n&atilde;o abriu m&atilde;o de cumprir a sua fun&ccedil;&atilde;o de impor limites, constitucionalmente previstos, &agrave; explora&ccedil;&atilde;o do trabalho pelo capital.<\/p>\n<p>\tMuito se diz sobre a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica causada pela jurisprud&ecirc;ncia da Justi&ccedil;a do Trabalho, mas o que esta fez, frente &agrave;s reiteradas tentativas de se desconstruir a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, com interpreta&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas, foi assegurar a efetividade das normas constitucionais e o fez, &ldquo;data venia&rdquo;, de forma ainda limitada, haja vista que corroborou com a intermedia&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o-de-obra sob o eufemismo da terceiriza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conferiu aplicabilidade imediata ao inciso I, do art. 7&ordm;, n&atilde;o declarou a inconstitucionalidade do banco de horas, acolhei a jornada de 12&#215;36, imp&ocirc;s reiterados limites inconstitucionais ao direito de greve, interpretou de forma restrita o lapso prescricional, acatou a teoria da responsabilidade subjetiva nos acidentes do trabalho, refor&ccedil;ando a no&ccedil;&atilde;o, criada na d&eacute;cada de 60 para incentivar o investimento de empresas estrangeiras no Brasil, de &ldquo;ato inseguro da v&iacute;tima&rdquo; etc.<\/p>\n<p>\tDe todo modo, no conjunto, o que se extrai da atua&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a do Trabalho &eacute; uma jurisprud&ecirc;ncia de resist&ecirc;ncia e bastante importante para o projeto social democr&aacute;tico, tomando-se, como exemplos, a limita&ccedil;&atilde;o &agrave;s dispensas coletivas e a ultratividade (diretamente atacadas na &ldquo;reforma&rdquo;).<\/p>\n<p>\tO problema &eacute; que nem mesmo essas conten&ccedil;&otilde;es foram aceitas pelo setor empresarial e o que estamos vivendo hoje, concretamente, &eacute; um aut&ecirc;ntico atentado ao Estado de Drieito por meio tamb&eacute;m do ass&eacute;dio moral coletivo aos ju&iacute;zes e ju&iacute;zas do trabalho, como forma de interferir na sua independ&ecirc;ncia jurisdicional, tudo para a imposi&ccedil;&atilde;o de uma &ldquo;reforma&rdquo; empresarial trabalhista.<\/p>\n<p>\tO conte&uacute;do do PL 6787\/16 &ndash; analisados todos os seus dispositivos, um a um &ndash; &eacute; uma explicita&ccedil;&atilde;o de que, em conformidade com todo o processo hist&oacute;rico acima narrado, se buscou atender, exclusivamente, os interesses do grande capital, n&atilde;o apenas no sentido de favorec&ecirc;-lo na sua rela&ccedil;&atilde;o imediata com os trabalhadores, mas de lhe conferir um quase total controle da vida nacional, o que explica, inclusive, o ataque &agrave; Justi&ccedil;a do Trabalho, como dito.<br \/>\n\tA pressa com que se pretende aprovar a &ldquo;reforma&rdquo; &eacute; a demonstra&ccedil;&atilde;o n&iacute;tida de que o seu conte&uacute;do n&atilde;o resistiria a um debate democr&aacute;tico mais amplamente difundido.<\/p>\n<p>\tPara se ter uma ideia, bastou uma pergunta ao relator do Projeto de Lei da &ldquo;reforma&rdquo;, feita em 24\/04\/17, em programa de televis&atilde;o<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn32\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxxii]<\/a>, sobre qual seria a utilidade para a sociedade brasileira de se incluir no PL um dispositivo com o potencial de eliminar a responsabilidade de empresas envolvidas, na &ldquo;cadeia produtiva&rdquo;, com a explora&ccedil;&atilde;o do trabalho em condi&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas &agrave; de escravos<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn33\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxxiii]<\/a>, para que o dispositivo simplesmente sumisse do relat&oacute;rio final aprovado na C&acirc;mara dos Deputados no dia 26\/04\/17. Ali&aacute;s, a pr&oacute;pria rea&ccedil;&atilde;o do deputado &agrave; pergunta revela o seu desconhecimento sobre os alcances jur&iacute;dicos de dispositivos que constam da &ldquo;reforma&rdquo;.<\/p>\n<p>\tAli&aacute;s, bastou tamb&eacute;m que se evidenciasse, em caso concreto, o quanto a precariedade das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho p&otilde;e em risco a vida dos trabalhadores e tamb&eacute;m dos consumidores, para que um recuo, rapidamente, se verificasse na proposta de &ldquo;reforma&rdquo;. Com efeito, quando se visualizou o efeito do trabalho intermitente na avia&ccedil;&atilde;o civil e como essa modalidade de contrata&ccedil;&atilde;o colocaria em risco n&atilde;o s&oacute; a vida dos trabalhadores, mas tamb&eacute;m dos passageiros (muitos que est&atilde;o por a&iacute; considerando que a precariedade &eacute; ben&eacute;fica) e dos pr&oacute;prios congressistas, o relat&oacute;rio final, aprovado no dia 26\/04, no que tange ao dispositivo que cuida do trabalho intermitente, foi alterado para explicitar que os aeronautas estariam exclu&iacute;dos do alcance dessa previs&atilde;o:<\/p>\n<p>\t&ldquo;Art. 443 &#8211; &sect; 3&ordm; Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, com subordina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; cont&iacute;nua, ocorrendo com altern&acirc;ncia de per&iacute;odos de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador,&nbsp;<strong><u>exceto para os aeronautas<\/u><\/strong>, regidos por legisla&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria.&rdquo; &ndash; grifou-se<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, sem muita justificativa j&aacute; se alterou a tal parametriza&ccedil;&atilde;o (que &eacute;, por si, uma afronta &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o) do dano moral prevista na &ldquo;reforma&rdquo;, que, na reda&ccedil;&atilde;o de 12\/04\/17, era: &ldquo;I &ndash; ofensa de natureza leve, at&eacute; cinco vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; II &ndash; ofensa de natureza m&eacute;dia, at&eacute; dez vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; III &ndash; ofensa de natureza grave, at&eacute; cinquenta vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido&rdquo;, e que, na reda&ccedil;&atilde;o de 26\/04\/17, passou a ser: &ldquo;I &ndash; ofensa de natureza leve, at&eacute; tr&ecirc;s vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; II &ndash; ofensa de natureza m&eacute;dia, at&eacute; cinco vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; III &ndash; ofensa de natureza grave, at&eacute; vinte vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; IV &#8211; ofensa de natureza grav&iacute;ssima, at&eacute; cinquenta vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido&rdquo;.<\/p>\n<p>\tEsses exemplos evidenciam que: 1) os pr&oacute;prios parlamentares reconhecem que a precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho gera problemas tanto para os trabalhadores quanto para os consumidores; 2) a &ldquo;reforma&rdquo; n&atilde;o est&aacute; baseada em estudos necessariamente aprofundados, podendo gerar enorme inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e transtornos econ&ocirc;micos, sociais e jur&iacute;dicos de toda a esp&eacute;cie; 3) mesmo os parlamentares n&atilde;o compreendem, em muitos aspectos, a totalidade dos efeitos jur&iacute;dicos dos dispositivos que est&atilde;o aprovando; 4) visualizados, s&oacute; pelas modifica&ccedil;&otilde;es j&aacute; feitas, os enormes complicadores que um conjunto de mais de 200 altera&ccedil;&otilde;es legais pode gerar, a pressa com que se pretende aprovar a &ldquo;reforma&rdquo;, aliada &agrave;s evid&ecirc;ncias da cronologia acima apresentada, demonstra que os parlamentares n&atilde;o est&atilde;o preocupados com a melhoria da regulamenta&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no Brasil e sim em cumprir um compromisso de levar adiante uma agenda pol&iacute;tica direcionada a interesses espec&iacute;ficos; 5) se fosse possibilitado o debate democr&aacute;tico, com o necess&aacute;rio alcance da grande m&iacute;dia, a &ldquo;reforma&rdquo; n&atilde;o se seguraria em p&eacute;; 6) pouco est&atilde;o, de fato, se importando com os enormes transtornos que essa &ldquo;reforma&rdquo; vai gerar.<\/p>\n<p>\t<strong>III- As fal&aacute;cias e os atentados dos pilares da &ldquo;reforma&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>\t<strong>1. O negociado sobre o legislado<\/strong><\/p>\n<p>\tO projeto tenta se justificar pela necessidade de moderniza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, incentivando a negocia&ccedil;&atilde;o coletiva.<\/p>\n<p>\tIsso, no entanto, afronta, diretamente, o projeto de Estado Social, no qual a vontade dos sujeitos n&atilde;o deve prevalecer sobre o pacto de solidariedade que se estabelece por meio de um patamar civilizat&oacute;rio m&iacute;nimo. Ou seja, o capital e o trabalho podem se relacionar livremente desde que sejam garantidos os preceitos m&iacute;nimos que servem &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do modelo de sociedade at&eacute; mesmo para que a l&oacute;gica da livre concorr&ecirc;ncia n&atilde;o conduza todos a uma situa&ccedil;&atilde;o de barb&aacute;rie.<\/p>\n<p>\tN&atilde;o se pode acreditar que os livres ajustes se voltem ao interesse coletivo e o interesse p&uacute;blico n&atilde;o est&aacute; refletido na soma dos interesses individuais, como j&aacute; demonstrou a hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>\tSe dir&aacute; que a reforma n&atilde;o vai a esse ponto, pois o que se almeja &eacute; apenas que direitos constitucionalmente assegurados sejam regulados de forma distinta pelos diretamente interessados. O problema &eacute; que se tenta afastar por completo a participa&ccedil;&atilde;o do Estado do controle do respeito aos preceitos constitucionais por meio de f&oacute;rmulas processuais, que incluem at&eacute; mesmo a interfer&ecirc;ncia na independ&ecirc;ncia do juiz, dizendo-lhe como deve julgar, se isto eventualmente vier a ocorrer.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, por mais que o projeto tente assegurar esse efeito, de que nenhum direito ser&aacute; perdido, o concreto &eacute; que ao falar que direitos constitucionais n&atilde;o podem ser simplesmente reduzidos, acaba, pela pr&oacute;pria express&atilde;o utilizada, dando margem &agrave; compreens&atilde;o, em interpreta&ccedil;&atilde;o a&nbsp;<em style=\"position: relative;\">contrario sensu,<\/em>&nbsp;de que mesmos esses direitos podem ser compensados com outras vantagens, mas n&atilde;o estipula o modo dessa &ldquo;equival&ecirc;ncia&rdquo; e ainda diz que a aus&ecirc;ncia das contrapartidas n&atilde;o implica em anula&ccedil;&atilde;o do negociado.<\/p>\n<p>\tO que se tenta, concretamente, &eacute; fazer com que os pr&oacute;prios trabalhadores sejam agentes de suas derrotas, vez que numa realidade de desemprego estrutural, de terceiriza&ccedil;&atilde;o ampla, de trabalho intermitente como regra e de sindicatos fragilizados, os empregadores (sobretudo os grandes empregadores) ter&atilde;o amplas condi&ccedil;&otilde;es de impor a sua vontade, sempre com o argumento de que se as redu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o forem aceitas conduzir&atilde;o os trabalhadores ao desemprego, o que, ali&aacute;s, foi expressamente autorizado pelo projeto (o projeto da reforma expressamente autoriza e, assim at&eacute; incentiva, as dispensas coletivas sem justo motivo &ndash; o que vinha sendo impedido pela Justi&ccedil;a do Trabalho).<\/p>\n<p>\tLembre-se que a liberdade negocial pressup&otilde;e, mesmo nos marcos jur&iacute;dicos do Direito Civil, que o ajuste n&atilde;o se conclua a partir do estado de necessidade de uma das partes, vez que isso fere os princ&iacute;pios da liberdade e da boa-f&eacute;, que s&atilde;o a ess&ecirc;ncia do contrato. Da&iacute; porque, para chegar ao ponto preconizado, de maior amplitude para a negocia&ccedil;&atilde;o coletiva, o projeto, n&atilde;o estivesse vinculado a prop&oacute;sitos n&atilde;o revelados, deveria iniciar regulamentando o inciso I, do art. 7&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que garante aos trabalhadores a rela&ccedil;&atilde;o de emprego protegida contra dispensa arbitr&aacute;ria.<\/p>\n<p>\tO pr&oacute;prio projeto, no seu parecer, reconhece que os sindicatos est&atilde;o fragilizados, mas argumenta que a amplia&ccedil;&atilde;o das potencialidades negociais aumenta o seu poder. Ora, o que essa possibilidade faz &eacute; fragilizar ainda mais os sindicatos, sobretudo quando se acopla a essa situa&ccedil;&atilde;o a elimina&ccedil;&atilde;o do imposto sindical, que passa a ser opcional.<\/p>\n<p>\tRegistre-se aqui que poucos s&atilde;o, no meio jur&iacute;dico trabalhista, os que defendem o imposto sindical obrigat&oacute;rio, mas quase ningu&eacute;m nega, tamb&eacute;m, que &eacute; necess&aacute;rio garantir a liberdade sindical antes de se chegar a esse resultado.<\/p>\n<p>\tAl&eacute;m disso, a reforma, falando de liberdade, simplesmente n&atilde;o adentra o problema fundamental para os trabalhadores que &eacute; o da interven&ccedil;&atilde;o do Estado nas greves. O projeto, portanto, deveria, essencialmente, libertar os termos do art. 9&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, dos limites em que, indevidamente, foram postos pela Lei n. 7783\/89 (que &eacute; inconstitucional, mas que, estranhamente, tem prevalecido sobre a Constitui&ccedil;&atilde;o).<\/p>\n<p>\tEm suma, o projeto fala em modernidade para a livre negocia&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o estabelece nenhuma garantia aos trabalhadores para que possam manifestar sua vontade livremente.<\/p>\n<p>\t<strong>2. Afastamento da Justi&ccedil;a do Trabalho<\/strong><\/p>\n<p>\tA tentativa de afastar a Justi&ccedil;a do Trabalho se d&aacute; para impedir que ela fa&ccedil;a prevalecer as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es de trabalho fixadas na Constitui&ccedil;&atilde;o, como tem feito, ainda que timidamente.<\/p>\n<p>\tA classe empresarial quer definir sozinha o seu destino, mas nisto n&atilde;o h&aacute; nenhum projeto de pa&iacute;s.<\/p>\n<p>\t<strong>3. Individualismo<\/strong><\/p>\n<p>\tO projeto incentiva o individualismo, destruindo, pois, a l&oacute;gica de solidariedade social.<\/p>\n<p>\tRefor&ccedil;a, inclusive, a l&oacute;gica, j&aacute; existente no Brasil, infelizmente, de que aqueles que est&atilde;o bem situados economicamente n&atilde;o precisam se integrar aos projetos gerais da Seguridade Social.<\/p>\n<p>\tAo se permitir que os interessados diretos resolvam, como quiserem, os seus interesses, a tend&ecirc;ncia, inclusive, &eacute; que se alastrem as pr&aacute;ticas de sonega&ccedil;&atilde;o da Previd&ecirc;ncia Social, como forma de abrir espa&ccedil;o maior para os institutos de previd&ecirc;ncia privada.<\/p>\n<p>\t<strong>4. Pol&iacute;tica de subempregos<\/strong><\/p>\n<p>\tO projeto tenta fazer crer que a gera&ccedil;&atilde;o de empregos &eacute; uma mera quest&atilde;o de alinhamento da forma jur&iacute;dica com a vontade dos empregadores. As supostas f&oacute;rmulas criadas para gera&ccedil;&atilde;o de empregos, trabalho intermitente e terceiriza&ccedil;&atilde;o de atividade-fim gerar&atilde;o, isto sim, um deslocamento dos empregados fixos e diretos para as rela&ccedil;&otilde;es intermediadas e tempor&aacute;rias, aumentando a precariedade no mercado de trabalho como um todo, al&eacute;m de fragmentar e fragilizar ainda mais a classe trabalhadora, como forma, inclusive, de aniquilar por completo qualquer possibilidade de exerc&iacute;cio de press&atilde;o sobre os empregadores no momento da negocia&ccedil;&atilde;o coletiva.<\/p>\n<p>\tAdemais, segundo se diz<a href=\"https:\/\/www.jorgesoutomaior.com\/blog\/a-quem-interessa-essa-reforma-trabalhista#_edn34\" style=\"color: rgb(158, 36, 56); transition: all 200ms linear;\">[xxxiv]<\/a>, s&atilde;o as micro e pequenas empresas que de fato empregam no pa&iacute;s e as reformas, no geral, atendem aos prop&oacute;sitos dos grandes conglomerados econ&ocirc;micos, aumentando o seu poder, que se exerce, inclusive, sobre as micro e pequenas empresas.<\/p>\n<p>\t<strong>5. Solidariedade sem participa&ccedil;&atilde;o do capital<\/strong><\/p>\n<p>\tTenta-se justificar a regulamenta&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos prec&aacute;rios como forma de melhorar a condi&ccedil;&atilde;o social dos que est&atilde;o na informalidade. Mas o fen&ocirc;meno j&aacute; se produziu entre n&oacute;s na regulamenta&ccedil;&atilde;o das cooperativas de trabalho, em 1994. Os empregados passaram a ser &ldquo;cooperados&rdquo;.<\/p>\n<p>\tA precariza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o inclui, at&eacute; porque, se isso se ocorresse, n&atilde;o seria propriamente inclus&atilde;o, mas uma semi-inclus&atilde;o.<\/p>\n<p>\tN&atilde;o se trata de recusar a ideia, que tamb&eacute;m acompanha os termos da reforma, de tirar de quem tem mais para dar a quem tem menos. Ora, a solidariedade n&atilde;o pode ser pensada nos limites estritos do conjunto dos menos favorecidos da sociedade. N&atilde;o &eacute; aos trabalhadores com emprego que se deve exigir sacrif&iacute;cio para que se proceda a inclus&atilde;o dos &ldquo;informais&rdquo;. O que se deve fazer &eacute; estimular a economia, reformular a distribui&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria, e efetivar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, tamb&eacute;m de cunho social e educacional.<\/p>\n<p>\t&Eacute; preciso que se tenha a percep&ccedil;&atilde;o concreta de quais s&atilde;o os obst&aacute;culos &agrave; justi&ccedil;a social. Estimular o subemprego, melhorando o dado estat&iacute;stico da empregabilidade, serve apenas para mascarar os desajustes econ&ocirc;micos e os nossos graves problemas sociais hist&oacute;ricos.<\/p>\n<p>\t<strong>6. Cria&ccedil;&atilde;o de fetiches<\/strong><\/p>\n<p>\tOs fundamentos com que se tentam justificar a reforma geram, ainda, os graves fetiches de que o empresariado brasileiro, ao longo da hist&oacute;ria, foi um fiel cumpridor da lei, de que a economia brasileira sempre foi saud&aacute;vel e justa e de que se as coisas n&atilde;o andaram bem foi por culpa da Justi&ccedil;a do Trabalho que imp&ocirc;s aos empregadores obriga&ccedil;&otilde;es superiores &agrave;quelas previstas nas leis; quando n&atilde;o do pr&oacute;prio trabalhador, em raz&atilde;o de seus insuport&aacute;veis, economicamente falando, direitos.<\/p>\n<p>\tFato &eacute; que a soma desses fatores conduz ao resultado pretendido do aumento de poder dos grandes conglomerados econ&ocirc;micos: afastamento do Estado (Justi&ccedil;a do Trabalho, Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, Auditores Fiscais do Trabalho, com a essencial participa&ccedil;&atilde;o da advocacia trabalhista) das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho e, por consequencia, a elimina&ccedil;&atilde;o do projeto de Estado Social.<\/p>\n<p>\t<strong>IV- O conte&uacute;do da &ldquo;reforma&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>\tPara que n&atilde;o se diga que os argumentos acima s&atilde;o exagerados, exp&otilde;em-se, abaixo, de forma esquem&aacute;tica, os principais pontos da &ldquo;reforma&rdquo;, que s&atilde;o, como se poder&aacute; verificar, exclusivamente voltados aos interesses dos empregadores.<\/p>\n<p>\t<strong>1. O que a &ldquo;reforma&rdquo; faz:<\/strong><\/p>\n<p>\t<strong>a) no Direito Material<\/strong><br \/>\n\t&#8211; Banco de horas (v&aacute;lido tamb&eacute;m mediante acordo individual &ndash; para o lapso de 6 meses)<br \/>\n\t&#8211; Trabalho tempor&aacute;rio (ampliado para 180 dias, consecutivos ou n&atilde;o, podendo-se ampliar por mais 90 dias &ndash; nos termos da Lei n. 13.429\/17)<br \/>\n\t&#8211; Trabalho a tempo parcial (ampliado para 36 horas semanais &ndash; com possibilidade de trabalho em horas extras)<br \/>\n\t&#8211; Mant&eacute;m a recupera&ccedil;&atilde;o judicial (Lei n. 11.101\/05)<br \/>\n\t&#8211; Terceiriza&ccedil;&atilde;o atividade-fim, com responsabilidade apenas subsidi&aacute;ria do tomador, prevendo &ldquo;quarteiriza&ccedil;&atilde;o&rdquo;<br \/>\n\t&#8211; Trabalho intermitente, sem garantia sequer do recebimento do sal&aacute;rio m&iacute;nimo<br \/>\n\t&#8211; Negociado sobre o legislado, sem garantia efetiva para um questionamento na Justi&ccedil;a<br \/>\n\t&#8211; Dificulta a configura&ccedil;&atilde;o do grupo econ&ocirc;mico (exige controle efetivo)<br \/>\n\t&#8211; Prescri&ccedil;&atilde;o com compreens&atilde;o restritiva (intercorrente &ndash; e pronunciamento de of&iacute;cio)<br \/>\n\t&#8211; Legaliza a jornada de 12&#215;36 por acordo individual &ndash; com possibilidade, ainda, de realiza&ccedil;&atilde;o de horas extras, suprimindo DSR e feriados<br \/>\n\t&#8211; Teletrabalho (sem limita&ccedil;&atilde;o da jornada, dificulta responsabiliza&ccedil;&atilde;o do empregador por acidentes e permite a transfer&ecirc;ncia dos custos ao empregado)<br \/>\n\t&#8211; Limita&ccedil;&atilde;o das condena&ccedil;&otilde;es por dano moral (com exclus&atilde;o de responsabilidade da empresa tomadora dos servi&ccedil;os)<br \/>\n\t&#8211; Prev&ecirc; a condena&ccedil;&atilde;o do empregado por dano extrapatrimonial<br \/>\n\t&#8211; Parametriza&ccedil;&atilde;o da indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral (ofensa de natureza leve, at&eacute; tr&ecirc;s vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; ofensa de natureza m&eacute;dia, at&eacute; cinco vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; ofensa de natureza grave, at&eacute; vinte vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido; ofensa de natureza grav&iacute;ssima, at&eacute; cinquenta vezes o &uacute;ltimo sal&aacute;rio contratual do ofendido)<br \/>\n\t&#8211; Cria a figura do &ldquo;aut&ocirc;nomo&rdquo;, que trabalha com ou sem exclusividade, de forma cont&iacute;nua ou n&atilde;o<br \/>\n\t&#8211; Permite o contrato individual sobre o legislado para o empregado, com n&iacute;vel superior, que receba sal&aacute;rio de R$11.062,62 ou mais<br \/>\n\t&#8211; Cria o termo de quita&ccedil;&atilde;o anual ampla por ajuste extrajudicial, firmando tamb&eacute;m durante a vig&ecirc;ncia do contrato<br \/>\n\t&#8211; Permite expressamente e, com isso, at&eacute; incentiva, as dispensas coletivas e o PDV<br \/>\n\t&#8211; Estabelece mecanismos processuais que, em concreto, impossibilita a anula&ccedil;&atilde;o das cl&aacute;usulas de negocia&ccedil;&atilde;o coletiva por<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/sinditestrs.org.br\/admin\/noticias\/imgs\/sinditestrs_news-e868405e594e0cccb42addea45e7d2f3.jpg<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788"}],"collection":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sinditestrs.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}